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Teorias Sociológicas 2


Código: SS2210223    Sigla: TS2
Áreas Científicas: SOCIOLOGIA

Ocorrência: 2023/24 - 2S

Cursos

Sigla Nº de Estudantes Plano de Estudos Anos Curriculares Créditos Horas Contacto Horas Totais
LSS1 75 Aviso nº 16918/2022 de 30 de Agosto 4 ECTS 45 100

Horas Efetivamente Lecionadas

2TURMAU

Teóricas: 24,00

Docência - Horas

Teóricas: 3,00

Tipo Docente Turmas Horas
Teóricas Totais 1 3,00
Sara Cristina Dias Melo   3,00

Objectivos, Competências e Resultados de aprendizagem

1. Compreender as principais tentativas de superação das grandes oposições que marcaram o desenvolvimento da Sociologia, nomeadamente no que se refere às dicotomias estrutura/acção, consenso/conflito, macro/micro;
2. Identificar o peso determinante das estruturas objectivas na construção do habitus e das relações sociais.
3. Compreender a sociedade como realidade objectiva (o processo de institucionalização) e como realidade subjectiva (a socialização e a construção da identidade, a manutenção e a transformação da realidade subjectiva);

No domínio dos conhecimentos teóricos necessários para interpretar situações concretas observáveis no decorrer do estágio de Serviço Social e para analisar modelos e estratégias de intervenção, os alunos devem ser capazes de desconstruir os modos de fazer estereotipados que impedem as práticas de serviço social de contribuir para a criação de oportunidades de acesso aos variados tipos de recursos sociais e de dispositivos de acção teoricamente fundamentados.

Programa

1. Introdução: os principais dilemas que atravessaram a Sociologia e o desenvolvimento de perspectivas que procuram integrar a análise das estruturas sociais e a das práticas e interacções.

2. Pierre Bourdieu
2.1 O construtivismo estruturalista: o peso determinante das estruturas objectivas, isto é, das relações de força fundadas na distribuição desigual de vários tipos de capital; a importância da dimensão simbólica das relações de poder.
2.2 O conceito de de habitus.
2.3 Mudanças e pseudo-mudanças na sociedade contemporânea: a translação da estrutura. O caso da «democratização da escola».

3. Peter Berger e Thomas Luckmann
3.1 A sociedade como realidade objectiva: o processo de institucionalização:
- as tipificações recíprocas entre actores;
- a objectivação dos modos de fazer: construção de uma ordem institucional em expansão; constituição das instituições em factos exteriores e coercivos; o processo de transmissão à nova geração; a importância da linguagem para objectivar as experiências partilhadas e torná-las acessíveis a todos no seio de uma comunidade; os papéis sociais como tipificação dos desempenhos que implicam uma distribuição social do conhecimento;
- a legitimação;
- o controlo social primário e secundário;
- sedimentação e reificação.

3.2 A sociedade como realidade subjectiva: a socialização e a construção da identidade
- socialização primária e socialização secundária;
- manutenção e transformação da realidade subjectiva: a importância do aparelho de conversação; a base social indispensável para confirmar a identidade; as condições sociais e conceptuais da ressocialização. 

Demonstração da Coerência dos Conteúdos Programáticos com os Objetivos da UC

Os conteúdos são coerentes com os objectivos na medida em que fornecem elementos relevantes para entender que os estilos de vida e a subjectividade dos indivíduos são uma componente incontornável da realidade social, e dos problemas em que o assistente social é chamado a intervir, mas, também, que são indissociáveis do lugar ocupado pelos indivíduos na estrutura social e das suas experiências sociais. Permitem compreender que é fundamental conhecer a realidade social subjectiva, já que esta é, para os indivíduos, a realidade social, mas que para a decifrar o investigador não pode deixar de reconhecer o primado da realidade social objectiva. Os conteúdos permitem, ainda, compreender que por mais constrangedora que seja a realidade social objectiva, ou institucionalizada, ela não deixa de ser uma produção humana que pode, numa certa medida, ser alterada pelos agentes sociais, sobretudo quando estes descobrem as relações e significados que estão na génese das instituições. 

Bibliografia Principal

Berger, P. e Luckmann, T.;A construção social da realidade, Lisboa, Dinalivro, 1999
Bourdieu, P.;Razões Práticas: sobre a teoria da acção, Oeiras, Celta, 1997
Bourdieu, P.;Escritos de Educação, Petropolis, Vozes, 1999
Bourdieu, P. et al;La Misère du Monde, Paris, Seuil,, 1993
Campenhoudt, L. V., ;Introdução à análise dos fenómenos sociais, Lisboa, Gradiva, 2003
Corcuff, P., ;As novas sociologias: construções da realidade social, Queluz, Vral, 1997

Métodos de Ensino

A metodologia de ensino e respectivas técnicas didácticas incidem, de acordo com as directrizes de Bolonha, sobre:
- sessões teóricas (T): sessões que contemplam a análise, pela docente, dos conteúdos programáticos da unidade curricular, articulando-se a exposição teórica dos temas com a ilustração empírica e a participação dos alunos na sua discussão.
- sessões de orientação tutorial (OT): sessões que contemplam um conjunto de actividades científico-pedagógicas, que visam consolidar as competências dos alunos através das seguintes actividades: apresentação de textos/outros documentos pelos alunos, individualmente e em grupos restritos, com discussão alargada.


Modo de Avaliação

Avaliação apenas com exame final

Componentes de Avaliação e Ocupação registadas

Descrição Tipo Tempo (horas) Data de Conclusão
Participação presencial (estimativa)  Aulas  48
  Total: 48

Avaliação Contínua

N.A.

Avaliação Final

Exame Final

Provas e Trabalhos Especiais

N.A.

Avaliação Especial (TE, DA, ...)

De acordo com o RAC do ISSSP

Melhoria de Classificação Final/Distribuída

De acordo com o RAC do ISSSP

Demonstração da Coerência das Metodologias de Ensino com os Objetivos de Aprendizagem da Unidade Curricular

A metodologia de ensino é coerente com os objectivos da unidade curricular na medida em que dá particular relevo às representações dos alunos, incentivando a sua participação na reflexão acerca dos modos de fazer institucionalizados e das práticas dos utilizadores das instituições onde estão a desenvolver o trabalho de campo da unidade de seminário. Permite que os alunos compreendam quanto é forte a tendência para naturalizar a realidade social objectiva, para a tomar como incontroversa e imutável, precisamente em virtude da sua objectividade. Permite entender que as mudanças que os profissionais procuram introduzir nos modos de fazer das organizações onde trabalham precisam de ganhar objectividade para realmente produzir mudanças consistentes. Contribuem, finalmente, para consolidar a ruptura com o etnocentrismo, incentivando os estudantes a compreender as práticas dos utilizadores, as condições sociais de que são produtos, uma condição decisiva para evitar de as julgar e rotular.